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Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho de pipoca. Assim acontece com a gente. As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo fica do mesmo jeito, a vida inteira. São pessoas de uma mesmice e de uma dureza assombrosas. Só que elas não percebem, acham que tudo é deste jeito e que não pode ser de outra forma.

Mas, de repente, vem o fogo. O fogo é quando a vida nos lança numa situação que nunca imaginamos – dor. Pode ser fogo de fora: perder um amor, perder um filho, ficar doente, perder um emprego, ficar pobre. Pode ser fogo de dentro: pânico, medo, ansiedade, depressão, sofrimentos cujas causas ignoramos. Há sempre o recurso dos remédios (das fugas) – apagar o fogo. Sem fogo o sofrimento diminui e com isso a possibilidade da grande transformação também.

Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela, lá dentro ficando cada vez mais quente, pense que sua hora chegou: vai morrer. De dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, com a visão limitada que traz da vida, não pode imaginar destino diferente. Não pode imaginar a transformação que está sendo preparada. A pipoca não imagina aquilo de que é capaz. Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo, a grande transformação acontece e ela aparece de uma forma completamente diferente… exuberante, maior, mais bonita… algo que ela mesma nunca havia imaginado ser capaz de se transformar.

Bem, mas ainda temos o piruá, que é o milho de pipoca que se recusa a estourar… o destino delas é triste. Não vão se transformar na flor branca macia.

Talvez hoje a gente não entenda o motivo de estar passando por alguma coisa, mas tenhamos a certeza que quanto mais quente o fogo, mais rápido a pipoca poderá estourar!