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Conta-se que seis cegos do Indostan, que após tanto ouvirem falar de elefante, decidiram sair a campo para descobrir o que era realmente o elefante. Partiram em diferentes direções para encontrá-lo e trazer as descobertas.

O primeiro cego, batendo contra a larga e resistente anca do elefante, grita alto: “O meu Deus, o elefante não é nada mais que um grande muro”.

O segundo cego, sentindo a presa lisa e afiada, observa: “O elefante não é mais nada que uma lança”.

O terceiro cego, tocando a tromba do elefante, conclui apressadamente: “Quem não vê que o elefante não é nada mais que uma cobra?”.

O quarto cego, tropeçando com o joelho do elefante, afirma categoricamente: “Não tenho a menor dúvida, o elefante não é nada mais que uma árvore”.

O quinto cego, tocando a orelha do elefante, e como este estivesse abaixado, diz: “Ah, ninguém pode negar que o elefante não é nada mais que um cobertor”.

O sexto cego, agarrado à cauda do elefante, exclama com euforia pela descoberta: “Aqui está ele, o elefante não é nada mais que uma corda”.

 

Terminada a busca, os seis cegos voltam para, juntos discutirem a respeito dos seus achados e tirarem dúvidas a respeito do elefante. Cada um se apresenta fechado em sua auto-suficiência dogmática; o que vale é somente a sua verdade. Estão mais preocupados em defender seus próprios interesses e pontos de vista. Confraga-se a polêmica, acabam discutindo e se desentendendo ainda mais! Se estivessem abertos, com espírito interativo para ouvir a parcela de verdade do outro, poderiam ter crescido e descoberto uma imagem mais acertado do elefante… Seria o início do diálogo multidisciplinar. Não seria o mais óbvio? Mas não é tão simples quanto parece! Ledo engano acreditar que a realidade se dá a conhecer tão facilmente quanto imaginamos.

 

Esta história pode nos ensinar muito a respeito da vida, de relacionamentos, colaboração e interdisciplinaridade no contexto da saúde, quer no setor educativo, quer no assistencial. È hora de darmos crédito à ótica e terapêutica multidisciplinar, não por capricho ou modismo, mas por necessidade de honrarmos a verdade. A verdade revê-se dialogal.

 

O conhecimento, hoje, apresenta-se como um conjunto de especializações, por vezes, desconexas, em que acabamos sabendo sempre mais de cada vez menos, até chegarmos a saber quase tudo de quase nada. É um paradoxo! Esse conhecimento dificilmente se transforma em sabedoria se não honrar a contribuição da perspectiva multidisciplinar. A significação do conhecimento, do trabalho, da vida, enfim, pressupõe a interdependência colaborativa, que honre os valores que cada pessoa tem.

 

História contada por Léo Pessini na apresentação do livro de:

RAMPAZZO, Lino. Antropologia Religiões e Valores Cristãos. 2ª ed. São Paulo: Edições Loyola, 2000.